O embate em torno do fim da escala de trabalho 6x1 ganhou novos capítulos nesta semana. Apesar dos rumores de um possível recuo, o Palácio do Planalto reafirmou a intenção de enviar um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência para extinguir esse modelo de jornada. No entanto, o tom agora é de cautela, com o governo tentando alinhar o passo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O Impasse entre Planalto e Câmara
A tensão cresceu após declarações de Hugo Motta sugerindo que o governo teria desistido do PL próprio para apoiar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que já tramita na CCJ. Ministros palacianos negaram a mudança de planos, mas admitem que é preciso diálogo para evitar que a pauta — que possui forte apelo eleitoral — sofra resistência no Congresso.
O ministro Guilherme Boulos (PSOL) reforçou a estratégia governamental nas redes sociais:
“O presidente Lula acaba de confirmar que vai mandar o PL com Urgência... Cada parlamentar terá 45 dias para decidir se votará com os trabalhadores ou com os privilegiados.”
A Estratégia da Urgência Constitucional
O uso do regime de urgência é uma ferramenta poderosa: se o PL não for votado em até 45 dias, ele passa a travar a pauta da Câmara, impedindo a votação de outras matérias. O objetivo do governo é que a nova regra seja aprovada até maio de 2026.
Divisão Interna e Próximos Passos
Embora o Planalto mantenha o discurso público de envio do PL até a próxima terça-feira (13), existe uma ala do governo que prega prudência. Integrantes da Secretaria de Relações Institucionais temem que a pressa atropele a tramitação da PEC na CCJ, que Motta prometeu pautar já na próxima semana.
O cenário agora é de observação: se o Congresso acelerar a tramitação da PEC por conta própria, o envio do PL do governo pode perder força para evitar conflitos desnecessários com o Legislativo.
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